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Endurance: Como o Rolex 6 Horas de São Paulo ajudou a definir os finalistas do FIA WEC

No fim de semana de 8 de novembro, campeões das classes Hypercar e LMGT serão conhecidos ao final das 8 Horas do Bahrein

O Rolex 6 Horas de São Paulo, realizado em 13 de julho, emergiu como o ponto de inflexão mais dramático da temporada 2025 do FIA WEC (Campeonato Mundial de Endurance). Posicionada na metade do calendário de oito etapas, a corrida brasileira no Autódromo de Interlagos foi implacável com os líderes, culminando em um equilíbrio na classificação geral e assegurando que o título Hypercar só será decidido na última prova do ano, as 8 Horas do Bahrein, em 8 de novembro.

A prova do Rolex 6 Horas de São Paulo, que ofereceu 25 pontos vitais ao vencedor, foi o primeiro grande teste de resistência após as 24 Horas de Le Mans. O circuito paulistano, notório por seu traçado sinuoso, de relevo acentuado e no sentido anti-horário, impôs desafios técnicos singulares. Um fator crucial foi o recapeamento completo da pista desde 2024, que forçou as equipes a começarem “praticamente do zero” no entendimento e gestão de pneus.

O Cadillac que encantou o público de Interlagos com seu motor V8 e a vitória

Em particular, Interlagos exige muito do pneu traseiro esquerdo dos carros devido à alta carga vertical, tornando a consistência a chave da vitória. Essa combinação de um novo asfalto e alta exigência de pneus amplificou a complexidade, agindo como um “nivelador de campo”, que expôs as fraquezas de adaptação das equipes líderes.

O drama atingiu seu ápice com o desempenho abaixo do esperado por parte dos principais protagonistas após as 24 Horas de Le Mans. A tripulação do Ferrari 499P #51, Alessandro Pier Guidi, Antonio Giovinazzi e James Calado, que chegava ao Brasil na liderança do campeonato, teve uma performance que em nada lembrou a dominância das provas iniciais, enfrentando dificuldades com a velocidade máxima nas retas e sendo penalizada no final da prova. O resultado: zero ponto.

Em Austin, Porsche e McLaren triunfaram na Lone Star Le Mans

Da mesma maneira, o desempenho da Toyota Gazoo Racing, vencedora da prova brasileira em 2024, não foi dos melhores. Os protótipos #7 e #8 terminaram em 14º e 15º, respectivamente, três voltas atrás do vencedor. A equipe japonesa também ficou no zero, um revés que efetivamente encerrou suas aspirações no Campeonato de Construtores.

Em meio ao caos, a Cadillac capitalizou a situação com uma performance calculada e estratégica. O Cadillac V-Series.R #12, pilotado por Alex Lynn, Norman Nato e Will Stevens, garantiu a vitória, com Norman Nato cruzando a linha de chegada. O sucesso da equipe americana foi atribuído à estratégia de conservação de pneus, cumprindo a meta de “fazer os pneus durarem” em uma pista de alta degradação.

O Porsche #92 que lidera a classificação geral da LMGT3

Já na classe LMGT3, um momento marcante em São Paulo: o triunfo do Akkodis ASP Team com o Lexus #87 (José María López, Clemens Schmid e Petru Umbrarescu), que conquistou a primeira vitória da marca na categoria. O pódio foi completado pelo Corvette #81 da TF Sport em segundo e o Aston Martin #10 da Racing Spirit of Léman — com o piloto brasileiro Dudu Barrichello — em terceiro, após manobra decisiva nos minutos finais. Dudu empolgou o público brasileiro com a disputa pelo pódio nas voltas derradeiras da corrida, mas também no dia anterior, ao cravar a pole position da categoria.

O Lexus vencedor de Interlagos na LMGT3

Nas 6 Horas de Austin, conhecida como Lone Star Le Mans, em setembro, a LMGT3 viveu um episódio emblemático da imprevisibilidade do endurance. A McLaren conquistou uma vitória inesperada após uma penalidade aplicada a uma Ferrari rival, evidenciando como o cumprimento das regras e o Balance of Performance (BoP) são elementos decisivos em um campeonato de margens tão apertadas. Mesmo sem vencer, o Porsche nº 92 Manthey 1st Phorm, líder do campeonato, manteve o foco na regularidade: optou por não trocar pneus em um momento tático e terminou em sétimo, resultado suficiente para ampliar sua vantagem para 19 pontos. Essa escolha refletiu uma estratégia de longo prazo — a priorização da consistência sobre o risco, um princípio que define as equipes mais bem-sucedidas do endurance moderno. Na classe principal a vitória ficou com o Porsche nº6 pilotado por Kevin Estre, Laurens Vanthoor e Matt Campbell.

A etapa seguinte, em Fuji, destacou conquistas marcantes em ambas as categorias principais. Na Hypercar, a Alpine obteve um feito histórico com a primeira vitória da marca no WEC, validando os avanços técnicos do programa. Na LMGT3, a Corvette com o carro #81 da TF Sport saiu vitoriosa. Já a McLaren, que havia vencido em Austin, viu escapar um novo pódio após decisões estratégicas questionáveis, demonstrando que a velocidade bruta ainda precisa ser acompanhada por execução tática refinada.

Com os resultados de Austin e Fuji, o Porsche #92 consolidou matematicamente os títulos de pilotos e equipes na LMGT3 antes mesmo da rodada final no Bahrein.

Na Hypercar, Ferrari #51 segue na liderança, mas com muitos pontos em jogo

Título Totalmente em Aberto
A ausência de pontos dos líderes em Interlagos transformou o Campeonato Mundial de Pilotos da Hypercar. Embora o Ferrari #51 mantenha a liderança (115 pontos), a diferença para o quarto colocado (Cadillac #12, 81 pontos) é de apenas 34 pontos. Com 38 pontos em jogo nas 8 Horas do Bahrein, a prova final em 8 de novembro tem pontuação diferenciada e maior que uma prova de seis horas, permitindo que a liderança mude de mãos na última bandeirada.

Graças ao veredito implacável da Rolex 6 Horas de São Paulo, a batalha pelo título será levada ao limite, com pelo menos quatro equipes — Ferrari #51, AF Corse #83, Porsche #6 e Cadillac #12 — com chances reais de erguer o troféu no final da temporada.

Nas 6 Horas de Fuji, vitórias da Alpine e da Corvette

A etapa brasileira não apenas garantiu um final eletrizante, mas também reafirmou a importância de Interlagos no calendário de endurance, gerando uma alta movimentação financeira e sendo transmitida para mais de 150 países.

Fonte: P1 Midia

Foto: DPPI

Alex Sandro

Eu sou o Alex, movido pela paixão pela velocidade. Junto com nossos parceiros, criamos conteúdos, fotos e coberturas que celebram esse universo incrível. Obrigado a todos que fazem parte dessa jornada e a você que está chegando agora — compartilhe e ajude-nos a levar essa paixão ainda mais longe! Tudo que fazemos é por amor ao esporte, sem fins lucrativos. ‘Tudo posso naquele que me fortalece.’

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